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O que indicadores de vegetação urbana nos dizem sobre as cidades



Em nossas colunas anteriores, abordamos o que indicadores de acesso habitacional e local de trabalho evidenciam sobre as cidades, mostrando que as bases de dados disponíveis revelam mais do que percebemos apenas por viver nelas. Tais temas discutidos, porém, não esgotam os pontos de vistas a partir dos quais podemos analisar a eficiência urbana. Neste artigo, queremos dar sequência à discussão debatendo como medir a presença de vegetação nas cidades e o que isso indica sobre o seu desempenho.




A presença de vegetação nas cidades é um tópico abordado em pesquisas científicas, especialmente a tentativa de medir quantitativamente, por meio de indicadores, o quão “verdes” são as áreas urbanas. Isso é mostrado na pesquisa Análise Crítica dos Índices de Áreas Verdes Urbanas, que lista dezenas de métricas propostas entre 1999 e 2019 para quantificar a vegetação urbana de diferentes formas: dando ênfase à sua proporção em relação à totalidade do território municipal, diagnosticando o quão bem distribuídas espacialmente elas são ou ponderando sua localização pela proximidade com as zonas mais populosas. A tal interesse, soma-se o fato de que a tecnologia tem tornado os dados sobre áreas verdes mais acessíveis, de modo que eles podem ser obtidos para qualquer lugar do mundo em plataformas online como o Google Earth Engine. Tal facilidade de acesso tem possibilitado o surgimento de aplicações que utilizam novas formas para apresentar graficamente esses dados, como a plataforma Hugsi, que disponibiliza mapas mostrando o percentual do território coberto por vegetação para diversas localidades.


Essa diversidade de formas de analisar as áreas verdes urbanas favorece o uso de tais dados para fundamentar políticas de planejamento, tendo em vista que há variados efeitos da vegetação no meio urbano que exigem diferentes métodos analíticos para serem abordados: por exemplo, sua contribuição para a permeabilidade do solo, para reduzir ilhas de calor ou para absorver parte das partículas poluentes do ar. 


Uma forma de tentar captar esses aspectos conjuntamente é medir a densidade de vegetação nas cidades e ponderá-la por sua proximidade aos locais de residência e trabalho da população, aferindo o quão incrustadas estão as áreas verdes nas áreas ocupadas mais intensamente. Essa proposta é baseada em pesquisas como a de Matthew Browning e Kangjae Lee e a de Jason Su e sua equipe, que mostram que o bem estar individual das pessoas é significativamente influenciado pela vegetação existente em um raio de até um quilômetro de onde elas vivem ou trabalham, com alguma influência adicional sendo observada por áreas verdes situadas a até os dois quilômetros de distância. Além disso, tal medição da proximidade entre vegetação e população também indica indiretamente se há desigualdades decorrentes da distribuição espacial das áreas verdes, em especial aquelas voltadas para o lazer público, tópico discutido em trabalhos como Who has access to urban vegetation? e Avaliação das desigualdades de acesso a áreas verdes públicas.


Em nossa próxima coluna, apresentaremos os resultados de uma pesquisa na qual calculamos um indicador seguindo a lógica apresentada no artigo e mostraremos as conclusões que podem ser extraídas dele para melhor entender o ambiente urbano. Assim, tentaremos expandir a temática urbana, que pode ser discutida por meio de dados, visando o aperfeiçoamento de nossas cidades.


Guilherme Dalcin




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