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O ChatGPT pode contribuir para o planejamento de nossas cidades?


O ChatGPT é um algoritmo de Inteligência Artificial que analisa a linguagem humana e gera conteúdos textuais baseados nela. Por ter sido treinado com enormes quantidades de dados, ele é capaz de receber textos — perguntas, ordens, comentários — e fornecer respostas.


Desde seu lançamento, surgem relatos sobre as facilidades decorrentes de “conversas” com ele: pessoas recebem tutoriais de como executar tarefas, respostas para perguntas complexas ou veem ele gerar novos textos com base em um tema dado.


Apesar de a versão atual do ChatGPT ter dificuldades com perguntas sobre contextos específicos, como o plano diretor de uma cidade, ou sobre fatos ocorridos após o ano de 2021 — data das informações mais recentes inseridas nele — é possível ter acesso ao algoritmo sobre o qual ele se estrutura (o GPT-4) e alimentá-lo com qualquer tipo de dado textual, treinando-o para responder sobre tal conteúdo. Assim, pode-se gerar variações da ferramenta especializadas em qualquer tema.


Cidades especulam utilizar esse método para criar aplicativos similares ao ChatGPT que facilitem o acesso a informações da administração pública. O algoritmo receberia documentos sobre o funcionamento do município e permitiria que a população o questionasse de modo a obter rapidamente respostas específicas para assuntos como impostos ou procedimentos burocráticos, ao invés de precisar interpretar a extensa legislação municipal por conta própria. A plataforma Place, por exemplo, tem experimentado projetar um aplicativo similar para cidades brasileiras que responda perguntas sobre leis urbanísticas.


Como algoritmos de IA identificam padrões estatísticos que fogem ao olhar humano, o ChatGPT também pode contribuir para tornar mais eficiente o processo projetual, visto que autores como Olgu Caliskan definem a cidade como algo tão complexo que planejadores não conseguem de antemão ter plena compreensão de todos os problemas existentes.


Pode-se amenizar tal dificuldade utilizando o aplicativo para obter descrições sobre a área de intervenção com base nos dados disponíveis sobre ela ou estimativas para sua evolução futura conforme modelos matemáticos. Seria possível até mesmo solicitar um esboço de projeto, visto que as composições criadas como resposta tendem a fugir do senso comum, servindo como insights criativos sobre o que é possível realizar.


Porém, há questionamentos quanto à ética do ChatGPT. Dentre outros problemas, ele utiliza material autoral para a formulação de respostas sem citar fontes e, se a pergunta envolve conhecimentos para os quais o algoritmo não foi devidamente treinado, ele pode fornecer respostas erradas sem dar indicativos sobre tal falta de correção. Isso é agravado por não ser claro juridicamente quem é responsável pelas consequências do uso das respostas geradas pela IA.


Esse contexto remete à obra Things that make us smart, onde Don Norman diz que a inteligência humana reside na capacidade de desenvolver recursos que auxiliem nossa produtividade. Independente do potencial dessas tecnologias, ainda cabe às pessoas o papel de filtrar e questionar as informações geradas justamente porque o raciocínio dos algoritmos não é transparente a ponto de se confiar nele incondicionalmente. Contudo, não há como negar o seu potencial em reduzir o tempo gasto com tarefas rotineiras, nos permitindo direcionar esforços para o trabalho intelectual e criativo de pensar a gestão das cidades.


Texto de autoria de autoria de Guilherme Dalcin e Lucas Raupp


Publicado originalmente em Caos Planejado

 



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