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Os dados dão as respostas, mas sabemos elaborar as perguntas?

Atualizado: 28 de mar. de 2023


A ascensão de novas tecnologias digitais, o compartilhamento e o gerenciamento de dados em grande quantidade e as consequentes mudanças no comportamento e nos modos de vida da sociedade, conduzem a um cenário em constante transformação, no qual as cidades já podem ser planejadas em tempo real.



A revolução digital e da informação apresenta novas perspectivas para o planejamento urbano, e escancara a necessidade de que as tradições e as bases sobre as quais os gestores operaram nas últimas décadas, sejam profundamente revistas. O resultado pode ser animador, se soubermos nos adaptar ao novo modus operandi necessário para atuar nesse contexto. Trata-se de uma “reprogramação” dos modelos de planejamento, projeto e gestão para agir nas cidades contemporâneas.


Essas cidades vêm sendo chamadas por diversos pesquisadores e demais agentes envolvidos no desenvolvimento urbano em todo o mundo de “cidades responsivas”. Isto está sendo feito com base em experiências com “cidades inteligentes”, aproveitando o poder da tecnologia da informação para dar suporte a uma nova abordagem de planejamento urbano integrado capaz de atingir a complexidade dos futuros sistemas urbanos.


As cidades responsivas estão amparadas em uma absorção de dados que é dinâmica e coloca o usuário no centro da ação. Ela ocorre por meio de dispositivos eletrônicos portáteis, gadgets que carregamos no bolso, ou que são fixados em linhas de transporte público, por exemplo. Esta condição pode ser entendida como uma, ainda que sutil, linha de corte entre a “Cidade Inteligente” e a “Cidade Responsiva”.


No Laboratório de Cidades Futuras do Instituto Nacional de Tecnologia de Zurich, as pesquisas no cenário de cidades responsivas ocorrem por meio da sistemática de captura, análise e aplicação de dados, intencionando fornecer as respostas e práticas necessárias para o desenvolvimento dessas cidades.


É preciso saber formular as perguntas que nos levarão a agir na mesma velocidade em que recebemos os dados, e para tanto a dimensão transdisciplinar ganha protagonismo, em uma expertise que reúne o conhecimento de urbanismo, ciência de dados, engenharia, ciência econômica e também comportamental.


 

O manuseio digital dos dados permite ampliar e facilitar essa transversalização entre os conhecimentos, mas é preciso haver uma sensibilização que é, acima de tudo, cultural. A nova cultura exigida para planejar a cidade em alinhamento com o contexto em que vivemos é destacado por Susan Crawford e Stephen Goldsmith como sendo o calcanhar de Aquiles do desenvolvimento urbano contemporâneo no livro “The responsive cities: engaging communities through data-smart governance”, escrito há quase 10 anos.


Ao estarmos alinhados a esse contexto, será possível descentralizar a gestão, predizer e visualizar cenários urbanos, simplificar a aplicação e a visualização de dispositivos de controle, tornar efetivo e eficiente o diálogo entre agentes, criar realidades interativas, facilmente editáveis e atualizáveis. Enfim, os benefícios são infinitos, na mesma proporção dos desafios.

Por isso, o primeiro ponto para se pensar uma cidade responsiva é investir em conhecimento, e é essa a métrica de ação do Instituto Cidades Responsivas. Nesta coluna pretendemos oferecer um mapa de possibilidades para atuar nas cidades contemporâneas, envolvendo a equipe de pesquisadores e professores do Instituto no desenvolvimento das ideias e das escritas.



Texto de autoria de Luciana Marson Fonseca

 

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